Mulheres e o coração: os sintomas de infarto são diferentes no público feminino?

Quando o assunto é saúde cardiovascular, ainda vejo muita desinformação e preconceitos antigos. Durante meus anos de atendimento, especialmente como cardiologista, presenciei o quanto isso pode afetar negativamente o diagnóstico e o tratamento das mulheres. Algo que sempre me impressiona é que doenças cardíacas matam mais mulheres que o câncer de mama no Brasil e no mundo. Sim, é isso mesmo. Estar atento(a) ao tema pode ser um divisor de águas em sua vida e na vida das mulheres ao seu redor.

Por que as doenças cardiovasculares são tão perigosas para mulheres?

É surpreendente para muitos, mas as estatísticas trazem um alerta. O infarto e outras doenças do coração costumam ser mais fatais em mulheres do que em homens. E isso não tem relação só com estilo de vida, mas também com fatores biológicos, hormonais e sociais. Por exemplo, segundo informações da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o coração feminino apresenta algumas características próprias, como tamanho menor e vasos coronarianos mais estreitos. E em 2020, houve uma predominância de doenças cardíacas em mulheres entre 15 e 49 anos.

O coração feminino reage de forma diferente às doenças e aos sintomas do infarto.Essas diferenças estruturais aumentam a vulnerabilidade, principalmente após a menopausa, quando se perde a proteção hormonal do estrogênio. Na minha rotina, reforço que esta é uma fase decisiva para a saúde cardiovascular da mulher.

Mulher sentada segurando as costas com expressão de dor

Quais são os principais sinais de infarto na mulher?

Diferente do que muitos pensam, a clássica dor no peito não é sempre a principal manifestação do infarto entre mulheres. Observei em muitas consultas que sintomas como dor nas costas, enjoo, dor na mandíbula, desconforto abdominal, sudorese ou cansaço extremo costumam aparecer com frequência. São sintomas atípicos, muitas vezes leves ou difusos, o que pode resultar em procura tardia por atendimento médico e, consequentemente, em maior risco de complicações.

Segundo pesquisa do Instituto Ipsos, 51% dos entrevistados no Brasil não sabiam que há diferenças nos sinais do infarto entre homens e mulheres, o que contribui para diagnósticos atrasados e maiores sequelas.

Dor no peito nem sempre aparece no infarto feminino.

É frequente ouvir histórias de pacientes que só procuraram ajuda horas ou dias após o início dos sintomas, justamente por não associarem os sinais com risco cardíaco.

Lista dos sintomas menos conhecidos de infarto na mulher

Durante minha prática, noto que estes sintomas são frequentemente relatados e confundidos com outras condições médicas:

  • Desconforto ou dor na parte superior das costas
  • Sensação de mandíbula pesada ou dolorida
  • Dor ou pressão abdominal, podendo simular azia
  • Enjoo ou vômitos inexplicáveis
  • Cansaço fora do comum, mesmo após descanso
  • Falta de ar súbita, sem motivo aparente
  • Tontura ou sensação iminente de desmaio
  • Sensação de ansiedade intensa ou mal-estar súbito

Reconhecer esses sinais e agir rápido pode salvar vidas. Por isso, faço questão de orientar pacientes e familiares sobre essas diferenças.

Mulher de 40 anos realizando check-up cardiológico com médico

O impacto da menopausa e da queda do estrogênio

Com a chegada da menopausa, algo muito significativo acontece: os níveis de estrogênio diminuem. Esse hormônio sempre teve papel protetor do coração feminino. Quando ele baixa, cresce o perigo de hipertensão, colesterol elevado e, claro, de infarto.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a prevalência da hipertensão é ainda maior entre mulheres, e a queda do estrogênio após a menopausa eleva riscos às artérias. Nessas faixas etárias, reforço que é essencial programar avaliações cardiológicas regulares.

Após a menopausa, o risco cardíaco da mulher se aproxima do risco do homem. Muitas só se dão conta disso quando já há algum dano instalado.

Estresse e saúde cardíaca feminina: um elo perigoso

Outro fator alarmante, que vejo todos os dias no consultório, é como o estresse pesa mais sobre o coração da mulher. Segundo a página do Governo do Estado do Rio de Janeiro, cerca de 15% dos episódios de infarto estão ligados diretamente ao estresse intenso.

Considerando jornadas duplas, responsabilidades familiares e pressões sociais, as mulheres ficam mais expostas a situações de esgotamento emocional que, somadas a outros riscos, podem desencadear problemas cardíacos sérios.

Estresse pode ser o gatilho silencioso do infarto feminino.

Por que as mulheres demoram a procurar atendimento?

Recebo no consultório muitas pacientes que subestimaram sintomas de infarto por imaginarem que, por serem “coisas de mulher”, não teriam relação com o coração. Algumas acreditam que fadiga intensa ou dor nas costas seriam efeito de rotina pesada, não de risco cardíaco.

A Secretaria de Saúde de Alagoas destaca: sintomas femininos do infarto tendem a ser sutis e inespecíficos. Por isso, o diagnóstico frequentemente acontece em fases avançadas, dificultando a recuperação.

Quanto maior o tempo entre os primeiros sintomas e a procura por ajuda, pior o prognóstico. Acredito que investir na educação sobre saúde cardíaca feminina é o melhor caminho para mudar esse cenário.

Quando fazer check-up do coração?

Sempre oriento: toda mulher acima dos 40 anos deve buscar um check-up cardiológico anual.

  • Histórico familiar de doenças do coração
  • Presença de hipertensão, diabetes, colesterol elevado
  • Sedentarismo
  • Tabagismo (fumar aumenta ainda mais riscos após a menopausa)
  • Sobrepeso ou obesidade
  • Menopausa precoce
  • Exposição constante ao estresse

Até mesmo mulheres assintomáticas devem se prevenir. Eu, Dr. Eduardo Tassi, vejo como pontos-chave para promoção de saúde o acompanhamento contínuo, a avaliação do risco cirúrgico para quem passará por qualquer procedimento e o suporte pós-operatório para cirurgias cardíacas. Prevenir é sempre melhor.

O papel do acolhimento e informações seguras

Percebo que, quando entendem a própria condição e recebem atendimento humano e personalizado, as mulheres sentem-se encorajadas a cuidar melhor do coração. Educar e acolher, mostrando que não existe “sintoma bobo”, é parte do meu trabalho e da nossa missão aqui no Rio de Janeiro, onde atuo há mais de 20 anos.

Além disso, é possível melhorar a qualidade de vida cardiovascular com medidas simples:

  • Alimentação balanceada
  • Exercícios regulares
  • Monitoramento da pressão arterial
  • Controle do colesterol
  • Gestão do estresse e saúde mental

Conclusão

Se você chegou até aqui, já deu um primeiro passo contra um dos maiores riscos à saúde feminina. Saber identificar sintomas de infarto atípicos na mulher pode ser determinante para um desfecho positivo. Não minimize sinais, compartilhe essas informações e, acima de tudo, marque sua consulta para avaliação preventiva se tem mais de 40 anos ou fatores de risco.

Se quiser saber mais ou fazer um acompanhamento dedicado, marque sua consulta e conheça o atendimento do Dr. Eduardo Tassi, especialista em prevenção e tratamento personalizado para a saúde do coração feminino. Seu bem-estar pode depender dessa escolha!

Perguntas frequentes sobre sintomas de infarto em mulheres

Quais são os sintomas de infarto em mulheres?

Os sintomas no público feminino podem incluir dor nas costas, náuseas, desconforto no maxilar, cansaço extremo, falta de ar e, em alguns casos, dor abdominal, além ou em vez da dor no peito. Muitas vezes, esses sinais são confundidos com problemas digestivos, estresse ou ansiedade.

Sintomas de infarto feminino são diferentes dos masculinos?

Sim, costumam ser diferentes. Enquanto homens frequentemente relatam dor intensa no peito, as mulheres podem ter sintomas mais discretos, como mal-estar súbito, suor frio, dor nas costas, enjoo ou fadiga profunda, dificultando o reconhecimento precoce do infarto.

Como identificar infarto em mulheres?

Fique atento(a) a cansaço inesperado, dores em regiões como costas ou pescoço, enjoo, sudorese excessiva e falta de ar sem causa aparente. No caso de mulheres, o sintoma principal nem sempre será a dor no peito, por isso é preciso observar o conjunto dos sinais.

O que fazer ao sentir sintomas de infarto?

Procure atendimento médico imediatamente, ligando para um serviço de emergência. Não espere os sinais melhorarem sozinhos. Acione auxílio, permaneça em repouso e forneça informações claras sobre o que está sentido quando for atendida.

Dor no peito é comum em mulheres infartando?

A dor no peito pode acontecer, mas é menos frequente no público feminino comparado aos homens. Muitas mulheres apresentam sintomas menos óbvios, como dor nas costas, enjoo, dor mandibular, cansaço e falta de ar. Por isso, qualquer sintoma atípico deve ser avaliado com atenção.

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